Pastoral latinoamericana

IGLESIA EN EL MUNDO

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Morir es nacer, morir es despertar
y ver a DIOS

Morir sólo es morir, morir se acaba.
Morir es una hoguera fugitiva.
Es cruzar una puerta a la deriva
y encontrar lo que tanto se buscaba.
Acabar de llorar y hacer preguntas;
ver al Amor sin enigmas ni espejos.
Descansar de vivir en la ternura.
Tener la paz, la luz, la casa juntas;
y hallar, dejando los dolores lejos,
la Noche-luz tras tanta noche oscura.

(Poesía escrita por el sacerdote,
poeta y periodista español,
José Luis Martín Descalzo -1930-1991-,
durante su última enfermedad)

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COMUNICACIONES

Atendemos consultas personales y acompañamiento de la vida de fe, de 14:00 a 16:00 los martes, miércoles y jueves.

Atendemos consultas pessoais e acompanhamento da vida de fé, de 14:00 às 16:00 as terças, quartas e quintas feiras.

Teléfono: 03-5759-1061

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http://www.juanmasia.com/

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PALABRA DE VIDA

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FINADOS: A SABEDORIA DE HACER-SE PRESENTE DIANTE DA MORTE

“Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus...” (Mt 5,12)
No dia de Finados, fazemos memória e nos unimos a todas aquelas pessoas cujos rostos estão gravados em nossa mente e coração, pois foram presenças que nos sustentaram, nos confortaram, nos animaram e nos impulsionaram. E podemos expressar a confiança profunda de que a vida é conduzida secretamente a um Porto de Amor definitivo, e todo pranto, impotência e fragilidade serão abraçados e sanados n’Ele.
Há tanto que agradecer a estas pessoas que, como silencioso fermento, fizeram história com Deus no interior de nossa pobre humanidade. Foram presenças inspiradoras que melhoraram uma parte do mundo e nossa gratidão as acompanha. Ditosos eles e elas, e ditosos também nós porque, na comunhão com aqueles(as) que já vivem a páscoa definitiva, somos movidos a seguir seus passos pelo caminho da vida, para sermos dispensadores humildes de felicidade, compaixão, mansidão, famintos e sedentos de justiça, de paz.
Com a morte começa a vida para sempre, no coração do Deus amor. E se a morte é capaz de nos privar do dom da vida, o “amor tem poder para nos devolvê-la”, nos afirma o bispo Balduino de Cantebery.
Ao falar da morte sempre nos sentimos impotentes, pois ela nos ultrapassa. Sabemos de sua existência, mas muitas vezes nos dá medo. E o medo da morte impede viver adequadamente o presente. Mais grave ainda, o medo da morte pode chegar a nos travar profundamente e alimentar uma angústia a ponto de impedir-nos de viver a vida com sentido, qualidade e prazer.
Nossa sociedade tende a negar a morte, afastando-a dos nossos ambientes cotidianos, tornando-a invisível; procuramos negá-la, escondê-la, dissimulá-la; preferimos não falar dela e, mesmo quando falamos desta realidade última, a ela nos referimos com temor e tremor. O pânico e a negação são nosso pão de cada dia: a compulsão por manter-nos – ou ao menos parecer-nos – jovem, o culto à saúde e à vitalidade, a incapacidade de aceitar a fragilidade e a finitude de nossa natureza humana, deixam transparecer o medo de nos deparar com a morte.
A morte nos golpeia em dimensões muito sensíveis e frágeis de nossa experiência humana; ela desnuda e desvela a precariedade de nossa existência. Com nada chegamos ao mundo e sem nada partiremos dele. E a realidade é que sem aceitação da morte continuamos presos à onipotência infantil que nos faz fantasiar de seres imortais. E, no entanto, a morte está aí, na volta da esquina; por ser algo seguro e certo, a morte é realidade freqüente de distância, mistério e silêncio; ela nos faz cruzar o umbral do desconhecido, do qual é impossível dar um passo atrás; ficamos paralisados frente ao desconhecido e ao irreversível. A morte põe fim ao nosso estado de caminhantes neste mundo, tempo no qual fomos nos amadurecendo e crescendo.
A experiência cristã, por outro lado, nos revela o caminho de uma morte preparada ao longo da vida, porque a entende em relação com a vida e a vida em relação com a morte. Vida sem morte é irresponsável. Tira a seriedade da vida, que lhe é dada pela morte. Na verdade, a morte nunca fala sobre si mesma. Ela sempre nos fala sobre aquilo que estamos fazendo com a própria vida: as perdas, os sonhos não realizados, os riscos que não enfrentamos por medo... É de todos conhecido o refrão: “A morte menos temida dá mais vida”.
Superar o medo da morte é um processo longo, complexo, mas para o cristão constitui uma experiência religiosa muito profunda, que o desafia a aprofundar na consciência de si mesmo e em sua capacidade de confiar em Deus. Vencer o medo da morte é reconhecer que a vida sempre é um dom, não o resultado de nosso esforço; e que, por isso mesmo, o essencial não é encontrar um caminho para alcançar a imortalidade, mas aprender a “morrer em Cristo”.
Não é a morte aquela que deve dar sentido à nossa vida, mas ao contrário, só aprendendo a viver é que se aprende a morrer. Mesmo que nos restasse apenas um segundo de vida, faríamos muito mal em pensar na morte. Seria muito mais positivo viver plenamente esse segundo. A fé cristã não é masoquista ou sádica quando nos ensina a bem morrer. Assim nos dá maior responsabilidade para com a própria vida. O teólogo Soren Kierkegaard afirma que “só a fé proporciona ao ser humano o valor e a audácia necessárias para olhar a morte de frente”. Sem medos, sabendo que o Deus da vida, acolhe com amor e ternura, àqueles(as) que são “aspirados(as)” para dentro de suas entranhas misericordiosas.
O diretor japonês Akira Kurosawa retrata, de maneira original, questão da morte, em seu filme Ikiru, uma obra-prima de 1952. Trata-se da história de Watanabe, um humilde burocrata japonês que descobre ter câncer de estômago e apenas mais alguns meses de vida. O câncer serve de experiência reveladora para este homem, que antes tinha vivido uma vida tão limitada e atrofiada que seus próprios funcionários o apelidaram de “a múmia”. Depois de descobrir o diagnóstico, ele falta ao trabalho pela primeira vez em 30 anos, retira uma grande quantia de dinheiro de sua conta-corrente e tenta voltar à vida em vibrantes boates japonesas.
No meio desse ambiente devasso, ele encontra inesperadamente uma ex-funcionária que havia pedido demissão de seu escritório porque o emprego era tedioso demais: ela queria viver. Fascinado por sua vitalidade e energia, ele a segue e implora para que ela o ensine como viver. Ela lhe disse apenas que odiava seu antigo trabalho porque se tratava de uma burocracia sem sentido. No novo emprego, em que faz bonecas numa fábrica de brinquedos, ela se sente inspirada e motivada a viver a partir da ideia de poder levar felicidade a muitas crianças.
Quando o burocrata revela a ela seu câncer e a proximidade da morte, ela fica horrorizada e corre para longe, emitindo apenas uma única mensagem por sobre os ombros: “Faça alguma coisa”. Watanabe retorna, transformado, ao seu trabalho, recusa-se a ser engessado pelo ritual burocrático, quebra todas as regras e dedica o restante da vida à construção de um parque infantil, que seria aproveitado por muitas crianças, durante muitos anos. Na última cena, Watanabe, próximo da morte, está sentado em um balanço no parque. Apesar da nevasca, ele está sereno e se aproxima da morte com uma tranqüilidade impressionante.
De fato, aqueles que vivem com mais intensidade são os que deixam a segurança da margem e se dedicam apaixonadamente à missão de comunicar vida aos outros. Por isso, para os cristãos, a morte sempre se refere à Vida e à vida; à Vida com maiúscula, junto a Deus e para sempre (que chamamos Vida Eterna), e a vida de todos os dias, na qual somos chamados a ser testemunhas do amor de Deus a todos os homens e mulheres deste mundo; uma vida de serviço, de compromisso, de entrega generosa para construir um mundo melhor; uma vida com sentido, para que, quando cruzar o umbral da porta desta vida, de verdade encontremos plenamente o que tanto buscávamos: o amor, a paz e o rosto bondoso de um Deus que é Amor.
A vida se expande quando compartilhada e se atrofia quando permanece no isolamento e na comodidade. E a morte é o instante da expansão plena para aquele que soube dar um sentido inspirador à sua existência. Podemos afirmar, então, com muita propriedade, que todos morremos para o interior da Vida.
Texto bíblico: Mt 5,1-12
Na oração: A certeza de nossa fé em Cristo morto e ressuscitado nos ajuda a tirar do coração os medos, os impulsos auto-referentes na busca de segurança e imortalidade, para encontrar uma paz profunda que nos permita fazer de nossa vida uma oferenda gratuita em favor da vida de outros.
- Como você se situa diante da morte: medo? serenidade? certeza de poder mergulhar numa Vida maior?...
Pe. Adroaldo Palaoro sj

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15 AGOSTO. ASUNCIÓN

La catequista de aquella iglesia parroquial se llamaba Asunción. Sus amigos la llamaban Asun y sus alumnos la “señó Asunción”. El 15 de agosto la felicitaron. Ella aprovechó la ocasión para explicar a los niños y niñas de la escuela dominical lo que significa la Asunción de María al cielo.

Al ver en las ilustraciones del libro de religión una pintura de La Virgen María en el lecho de muerte con los apóstoles a su alrededor rezando mientras unos ángeles bajaban para llevarse a María envuelta en un manto de gloria, uno de los niños pequeños de la catequesis preguntó: “¿Entonces la Virgen no se murió? A lo que respondió la maestra: “Sí, Jaime, María murió y la enterraron. Pero morir es salir de esta vida para entrar en otra vida mejor, en la vida dentro de Dios. Como los pequeños ponían cara de no entenderlo, la maestra les hizo un juego. Hizo salir del aula al pasillo a una de las pequeñas, Alicia. Después cerró la puerta.

-Buscad a Alicia en esta habitación.
-Imposible, no está aquí.
-¿Qué ha pasado? ¿Se ha muerto Alicia? ¿Es que ya no vive? ¿Ya no existe?
-No, ha salido de esta aula y ha entrado en la galería. Visto desde aquí, lo que ha hecho Alicia es salir.

Visto desde el otro lado es entrar. Ahora abrimos la puerta y la llamamos. Alicia está de nuevo con nosotros.

Ana, que una de las mayorcitas y se está preparando este año para la Primera Comunión, levanta la mano: “Ya lo sé. Ana ha resucitado”

-Muy bien, Ana lo ha aprendido bien, dice la maestra. Habrá que explicarlo con palabras más apropiadas para los mayores. Porque el ejemplo que hemos visto, con el juego de Alicia saliendo del aula y entrando en el pasillo y volviendo de nuevo al aula, es solo una explicación sencilla para los más pequeños. Cuando crezcan un poco más y se preparen como Ana para la Primera Comunión, habrá que hablarles con otras palabras para mayores sobre lo que significa muerte y resurrección. El juego de la puerta no basta. Porque la resurrección no es volver a esta vida, sino quedarse para siempre en esa otra vida de verdad, donde ya no hay muerte.
Así fue cómo aquella maestra catequista explicó, esta vez con palabras para mayores, que resucitar no es volver a la vida en este mundo, sino entrar en la vida de Dios para siempre. Esto es diferente del juego de la puerta, porque cuando se cruza la puerta de la muerte ya no se vuelve a entrar en esta vida; se queda uno para siempre al otro lado, en la vida de Dios, con Dios, dentro de Dios.

Resucitar quiere decir también despertarse y levantarse, despertarse del sueño de la muerte, abrir los ojos y darnos cuenta de que estamos ya en la otra vida. Empezamos a caminar por la otra vida con Jesús Resucitado dentro de la vida de Dios.

La fiesta de la Asunción de María al cielo celebra su participación en la vida de Jesús Resucitado, es su resurrección en el mundo de la vida de Dios. Se llama Asunción porque el mismo Dios la llama, la “asume”, la “absorbe” dentro de su vida eterna para que viva para siempre dentro del misterio de Dios.

Santa María de la Asunción es una imagen y una anticipación de lo que Dios quiere que nos pase a todos nosotros al morir: que entremos en la vida de Dios, que Dios nos absorba y asuma dentro de sí. Que vivamos en Él y con Él para siempre.

Lo podemos decir también con la imagen del gusano de seda y la mariposa. Estamos destinados a pasar el umbral del tránsito de crisálidas a mariposas de vida eterna.
Los alumnos y alumnas mayores de la clase de preparación para el sacramento de la Confirmación, no se conformaban con estas explicaciones sencilla para los más pequeños. Algunos preguntaron: ¿A María la enterraron o se la llevaron los ángeles tal como estaba en el lecho de muerte hacia los cielos, como la pintan en el cuadro que vimos en el museo?

Hubo que explicarles el simbolismo de ese cuadro. Mientras la elevan al cielo, el sudario funeral se extiende y convierte en manto glorioso, como cuando sale de la crisálida la mariposa. Es un símbolo poético y pictórico del misterio de transformación que ocurre al pasar por la muerte a la vida verdadera.
La Asunción no es un privilegio exclusivo y excepcional de María, sino el símbolo de nuestro propio destino al morir para entrar como ella en la vida definitiva.
Asunción no significa transportar misteriosamente un cadáver por los aires para reanimarlo en lo alto de las nubes.
Asunción quiere decir que, pasando por la muerte, María es absorbida, atraída, asumida por el Espíritu de Vida de Dios y entra en la vida definitiva, verdadera y eterna. María Asunta al cielo es el símbolo de nuestra esperanza de vida eterna. Nos recuerda que morir es nacer y despertar.
Eso es lo que conmemoramos y celebramos el 15 de Agosto. Por eso es un día muy apropiado para rezar por los difuntos y con los difuntos para que ellos descansen en paz y rueguen por nosotros.
Lo dijo el papa Pío XII al proclamar esta enseñanza de fe solemnemente en 1950: “Lo esencial del mensaje es reavivar la esperanza en la propia resurrección”, que no consiste en revolotear por las nubes un alama separada de un cuerpo, ni en reanimar un cadáver o dejar una tumba vacía, ni en volver a esta vida terrena, sino que es la transformación de nuestro espíritu en cuerpo glorioso y la entrada de la persona en el misterio de la vida de Dios. Así lo escribe san Pablo en su carta a la iglesia de Corinto: “La victoria sobre la muerte consiste en que cuando morimos nos transformamos en cuerpo espiritual y glorioso, la muerte es absorbida por la victoria de la vida divina” (Cf. 1 Co 15).

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PENTECOSTES. HOMILÍA P. Adroaldo

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PAN DE VIDA

NA MORTE SEREMOS “ASPIRADOS” PARA DENTRO DE DEUS

“Viver sem morrer é viver menos, é impedir o pleno ser,

é partir sem nunca chegar, é jamais poder ressuscitar, é aceitar viver em vão.

Por isso, cedo quiseste voar, buscando a libertação” (L. Boff)

No Dia de Finados dedicamos a fazer memória daqueles(as) que são parte radical de nossa vida: deles(as) nascemos, por eles(as) somos. Recordamos, na oração e no afeto, aquelas pessoas que amamos e que fizeram a “travessia” para a “Vida maior”, a vida que não terá fim. Ao mesmo tempo, este dia será ocasião para aprofundar o sentido de nossa existência. De fato, a morte não fala dela mesma, mas da vida.

Para muitos, a morte é a que dá profundidade à vida humana, que permite saborear cada instante em sua fragilidade e em sua beleza. Para outros, a morte é a que tira o sentido de tudo o que fazemos. Na visão cristã, a morte não é o fim de tudo; ela é o despertar da “vida eterna”. É a experiência de ressurreição.

Quando alguém sabe “para quê e para quem vive”, realizando sua original missão, pode morrer em paz. Os que vivem intensamente enfrentam com grande serenidade seu envelhecimento e a proximidade da morte, vendo nela mais uma etapa no processo normal de seu amadurecimento e de sua realização. É o modo como alguém vive que qualifica a morte. Há mortes que, para além da inevitável dor que causam aos familiares e amigos, provocam paz, agradecimento, vontade de viver seriamente, de se levantar da superficialidade e da mediocridade.

É duro situar-se diante da morte das pessoas queridas. Corta fundo o coração uma esperança ferida. Diante da morte de quem amamos, reduzimo-nos ao silêncio; quanto mais intenso o amor, mais sofrida é a dor de um adeus. Quantas pessoas “partem no horário nobre da vida”: quantos projetos sem realizar, quantos sonhos despedaçados!...Parece que morre também uma parte de nós. Quando alguém parte, um pouco dele permanece conosco, e um pouco de nós vai com ele.

Um tímido protesto contra Deus brota do fundo do coração: “Onde está Deus?”

É na escuridão da dor e da morte que a Fé se manifesta e nos revela que fomos feitos por mãos celestiais; confessamos que a Vida é mais, é maior e que é eterna. Somos chamados à vida, criados para a liberdade, para a bondade, para a amplidão dos céus.

Confessamos que a vida vem de Deus e volta para Ele. “O amor é Deus, e a morte significa que uma gota desse amor deve retornar à sua fonte” (Tolstói). E a nossa última morada não é sob a lápide fria de um túmulo, mas no coração do mistério de um infinito Amor.

Aos olhos do Criador, tudo tem sentido.  Até o “sem sentido” (morte) revela o Deus presente, solidário...  Em cada pessoa que morre, morre um “pouco” de Deus. Deus “morre com”, para “ressuscitar com” e manifestar a força de seu Amor e Vida.

Deus não está distante da dor, do fracasso, da morte... Ele se faz presente, caminha conosco  e sofre nossa fragilidade. Nesse sentido, a Ressurreição é possível porque Deus se mistura com a morte, e faz emergir daí a Vida eterna.  Em Deus morremos, em Deus vivemos.

Na vida e na morte somos de Deus. Quando Ele  tecia nossos órgãos complexos, nosso cérebro, nosso coração, nossos sentidos, nosso corpo... no ventre  de nossa mãe, foi deixando sinais digitais de sua mão criadora e “pegadas” de seu amor.

E se são pegadas de amor, como poderiam terminar na tumba? Deus não nos criou para a morte mas para o amor que vence a morte, para a festa de amor sem fim. O Deus Pai e Mãe nos formou e nos sustenta em cada batida do coração; nossa respiração, nosso hálito de vida, sempre se move e se renova dentro da imensa “respiração” do Espírito. E o mesmo Deus que um dia nos teceu nas entranhas com ternura, com essa mesma mão poderosa de amor nos conduzirá de retorno à mesma fonte de ternura: seu coração vulcânico de vida, para que desfrutemos ali da festa do amor sem fim, juntamente com todos os nossos entes queridos que fizeram a travessia antes.

Nosso Hoje, então, se vestirá de Sempre. Nele Somos... e Nele seremos... para sempre!!!

Somos todos peregrinos e vivemos contínuas “travessias provisórias” até fazermos a grande travessia para Deus. Quando nascemos recebemos o sopro do Criador; quando morremos somos “aspirados” para dentro de Deus. Nosso destino é o Coração de Deus: “D’Ele viemos e para Ele retornamos”. Por isso somos eternos: já vivemos a eternidade nesta vida. Descobrimos no coração de nossa vida mortal a eternidade que vive em nós.

O que é real em nós é a vida eterna, a dimensão de eternidade que está no cerne desta vida. A vida eterna não é somente a vida depois da morte. A ressurreição não é uma experiência após a morte. E o que se chama de vida eterna não é a vida depois da morte, mas é a vida antes, durante e depois da morte. E que é eterna. Eterno é o que não está no tempo.

Segundo G. Rosa, “as pessoas não morrem, ficam encantadas”. Encantadas no coração de Deus e na nossa memória. Confessamos que sua passagem pela vida a humanidade ficou um pouco mais enriquecida e engrandecida.

No dia de Finados, fazer memória das pessoas que já fizeram a travessia é despertar a reverência pela vida. A vida é tanta surpresa, tanta novidade e riqueza que desperta o assombro e o encantamento. Fazer memória daqueles que viveram intensamente (mesmo que por pouco tempo) nos mobiliza e nos compromete a viver mais intensamente. E viver intensamente é viver aqui e agora de “modo eterno”.

A vida é dom que não pode ser desperdiçado. Para quê viver? Tem sentido? Quê marcas quero deixar?...

Alguém já afirmou que a morte é a realidade mais universal, pois todos morrem, mas nem todos sabem viver. Por isso, viver é uma arte; é necessário reinventar a vida no dia-a-dia, carregá-la de sentido.

“A tragédia não é quando um ser humano morre; a tragédia é aquilo que morre dentro da pessoa enquanto ela ainda está viva” (Albert Schweiter).

Quem viveu intensamente deixa “marcas”; fazemos, então, memória dessas marcas. “Aquilo que a memória amou fica eterno” (Adélia Prado). A memória é a presença da eternidade em nós. Tudo o que recordamos da pessoa que “já partiu” é semente de eternidade. Sua passagem entre nós não foi em vão.

A vida é feita de partidas e chegadas. De idas e vindas. De travessias. Assim, o que para uns parece ser a partida, para outros é a chegada. Nesse caminho em direção à plenitude, um dia, todos nós partiremos como seres imortais que somos ao encontro d’Aquele que nos criou.

Portanto, como seguidores de Jesus, no dia de Finados vamos celebrar a vida, a vida verdadeira, a plenitude dos irmãos que já vivem para sempre, que estão no coração de Deus. Porque a vida, como um rio, tem duas margens; a ponte para cruzar de uma margem à outra é construída diariamente com o amor, a fraternidade, a solidariedade, a esperança..., que ao longo da vida vamos semeando em nós, nos outros e na criação, dando a esta vida uma dimensão celestial.

Texto bíblico:  Jo 6,37-40

Na oração:  recordar os grandes silêncios da vida nas perdas de pessoas muito próximas, onde não há razões, não há uma lógica... mas no silêncio profundo, algo novo começa a germinar...

Pe. Adroaldo Palaoro sj

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